quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

As cores que ELA têm

Certa vez me perguntaram “O que sua esposa significa pra você?” como quem quer dizer Porque você é casado, vive com uma mulher, cheio de limitações, não é livre, tem que dar satisfação etc etc etc...

No primeiro momento a resposta não veio à tona, mas foi um belo convite a reflexão. E esta resposta eu sabia que só poderia ser encontrada dentro de mim.

Procurei essa mesma pessoa respondendo.

“A minha mulher traz cores a minha vida preta e branca”.

Enquanto eu vivo nesse mundo preto e branco de lógica, pensamentos e reflexões. Ela vive o mundo de emoções. Quando chego em casa ela me recebe com sorriso e alegria, certamente é a cor Amarela, com um pouco de verde e azul. Em um outro contexto a mesma mulher, mesma pessoa, me recebe com expressão de raiva “oh meu Deus, o que eu fiz?” NADA! Certamente ela está de vermelho com contrastes roxos e pretos, mas é a mesma mulher.

Em outra ocasião vejo uma nuvem cinza com raios azuis vindo do quarto. “RUNNNNNNN! It’s SARUMAN!!!”

Em certos dias do mês as cores mudam constantemente. Parece um arco-íris, às vezes paro para admirar, até porque nesse caso, no final há um pote de ouro.

Que vem com cores suaves e tons mais leves de azul, cor de rosa, amarelo e até mesmo o vermelho.

“It’s PERFECT!”.

E o homem que for capaz de apreciar todas as cores, vai viver um mundo totalmente diferente. E essa mulher, com certeza terá tons muito mais vibrantes.



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Lição do Buda sobre lidar com ofensas

Buda estava sentado embaixo de uma árvore falando aos seus discípulos.

Um homem se aproximou e deu-lhe um tapa no rosto.

Buda esfregou o local e perguntou ao homem:
– E agora? O que vai querer dizer?

O homem ficou um tanto confuso, porque ele próprio não esperava que depois de dar um tapa no rosto de alguém, essa pessoa perguntasse “E agora?”

Ele não passara por essa experiência antes. Ele insultava as pessoas e elas ficavam com raiva e reagiam. Ou, se fossem covardes, sorriam, tentando suborná-lo. Mas Buda não era num uma coisa nem outra, pois ele não ficara com raiva nem ofendido, nem tampouco fora covarde. Apenas fora sincero e perguntara: “E agora?” Não houve reação da sua parte.

Os discípulos de Buda ficaram com raiva e reagiram. O discípulo mais próximo, Ananda, disse:
– Isso foi demais: não podemos tolerar. Buda, guarde os seus ensinamentos para o senhor e nós vamos mostrar a este homem que ele não pode fazer o que fez. Ele tem de ser punido por isso. Ou então todo mundo vai começar a fazer dessas coisas.

– Fique quieto – interveio Buda. – Ele não me ofendeu, mas você está me ofendendo. Ele é novo, um estranho. E pode ter ouvido alguma coisa sobre mim de alguém, pode ter formado uma ideia, uma noção a meu respeito. Ele não bateu em mim; ele bateu nessa noção, nessa ideia a meu respeito; porque ele não me conhece, como ele pode me ofender? As pessoas devem ter falado alguma coisa a meu respeito, que “aquele homem é um ateu, um homem perigoso, que tira as pessoas do bom caminho, um revolucionário, um corruptor”. Ele deve ter ouvido algo sobre mim e formou um conceito, uma ideia. Ele bateu nessa ideia.

– Se vocês refletirem profundamente, continuou Buda, ele bateu na própria mente. Eu não faço parte dela, e vejo que este pobre homem tem alguma coisa a dizer, porque essa é uma maneira de dizer alguma coisa: ofender é uma maneira de dizer alguma coisa.

– Há momentos em que você sente que a linguagem é insuficiente: no amor profundo, na raiva extrema, no ódio, na oração. Há momentos de grande intensidade em que a linguagem é impotente; então você precisa fazer alguma coisa.

– Quando vocês estão apaixonados e beijam ou abraçam a pessoa amada, o que estão fazendo? Estão dizendo algo. Quando vocês estão com raiva, Com uma raiva intensa, vocês batem na pessoa, cospem nela, estão dizendo algo. Eu entendo esse homem. Ele deve ter mais alguma coisa a dizer; por isso pergunto: “E agora?”

O homem ficou ainda mais confuso!

E Buda disse aos seus discípulos:
– Estou mais ofendido com vocês porque vocês me conhecem, viveram anos comigo e ainda reagem.

Atordoado, confuso, o homem voltou para casa e naquela noite não conseguiu dormir. Na manhã seguinte, o homem voltou lá e atirou-se aos pés de Buda.

De novo, Buda lhe perguntou:
– E agora?

Esse seu gesto também é uma maneira de dizer alguma coisa que não pode ser dita com a linguagem e, voltando-se para os discípulos, Buda falou:
– Olhe, Ananda, este homem aqui de novo. Ele está dizendo alguma coisa. Este homem é uma pessoa de emoções profundas.

O homem olhou para Buda e disse:
– Perdoe-me pelo que fiz ontem.

– Perdoar? – exclamou Buda. – Mas eu não sou o mesmo homem a quem você fez aquilo. O Ganges continua correndo, nunca é o mesmo Ganges de novo. Todo homem é um rio. O homem em quem você bateu não está mais aqui: eu apenas me pareço com ele, mas não sou mais o mesmo; aconteceu muita coisa nestas vinte e quatro horas! O rio correu bastante. Portanto, não posso perdoar você, porque não tenho rancor contra você.

E você também é outro, continuou Buda. Posso ver que você não é o mesmo homem que veio aqui ontem, porque aquele homem estava com raiva; ele estava indignado. Ele me bateu e você está inclinado aos meus pés, tocando os meus pés; como pode ser o mesmo homem? Você não é o mesmo homem; portanto, vamos esquecer tudo.

Essas duas pessoas: o homem que bateu e o homem em quem ele bateu não estão mais aqui. Venha cá. Vamos conversar.